A pornografia me fez broxar para a vida: o que aprendi parando de consumi-la

Tempo de leitura: 15 minutos

Foi um percurso de vários anos entre perceber que a pornografia me fazia mal e de fato deixar de consumi-la.  Tendo começado a acessá-la aos 11 anos, foi ela quem moldou minha imagem do que é uma relação sexual e minhas expectativas. Cedo a sexualidade saiu da singularidade e se tornou palco para a interpretação de papéis e roteiros escritos por outros. 

Convivi por anos com a sensação de que ela me afastava daquilo que tenho de melhor e em troca me trazia a apatia, a insensibilidade e a insatisfação crônica. 

Notei que o consumo de pornografia parecia vir como um apoio, ou então como uma válvula de saída, para questões emocionais que estão longe de serem simples. Só que , ao invés de encontrar nela uma resposta para o tédio, o estresse, a ansiedade e a solidão, percebi que no médio-longo prazo o consumo agravava o que eu sentia, gerando um ciclo vicioso em que a buscava para suprir carências que ela mesma havia acentuado. 

O consumo piorava muito a minha sensação de solidão, e o mesmo se dava com a angústia existencial. É como se ela me broxasse com relação à própria vida.

E o contrário é fato. Os períodos em que ficava longe dela eram marcados pela reconexão com características das quais ela me afastava e que na época eu não conseguia nem nomear. São características que não fazem parte da “caixa do homem”, e certamente são o oposto do que a figura masculina dos filmes pornográficos expressa. Chamo-as  de presença, sensibilidade, ou simplesmente de “capacidade de ter uma relação íntima com a vida”. Traços que ficavam absolutamente embotados após o consumo, e não só logo após, mas também no médio-longo prazo. 

Falar sobre os benefícios de ter parado de consumir corre o risco de soar um discurso master coach de autoajuda, mas já que muitas pessoas só conhecem um lado da moeda, a vida com a pornografia, talvez seja importante falar sobre as mudanças que notei quando ela saiu da minha. Faço isso na segunda parte do texto, já que na primeira falo sobre os dados que me fizeram tomar essa decisão, referentes às pesquisas sobre a produção desse conteúdo e os modos pelos quais o usuário é impactado a nível cerebral  e interpessoal. Nessa primeira parte também falo sobre a pornografia alternativa e a questão sobre haver ou não um nível “seguro” para consumo. Na terceira e última parte falo sobre os passos que foram importantes para que eu hoje esteja há três anos de distância da pornografia, visto que é possível ter a compreensão racional de seus malefícios a nível pessoal e coletivo e, ainda assim, não conseguirem largá-la.

“É possível parar de pensar em pornografia e parar de ansiar pela pornografia. Eu achava que isso era impossível.”

Alguns bons motivos para mudar 

Conhecer as problemáticas que envolvem a pornografia tanto no âmbito da sua produção – o modo como é feita e os impactos sociais gerados – e da recepção – o modo como o usuário é afetado – foi fundamental para provocar a mudança. 

Soube do TED “The Great Porn Experiment”, do pesquisador Gary Wilson, onde se encontram parte significativa dos dados obtidos nos últimos anos relativos à neurociência.. Além disso, algumas informações obtidas de outras pesquisas [1] , me esclareceram alguns pontos importantes e me fizeram ver que não estava sozinho nesse barco. Dentre eles, esses quatro: 

1. A dessensibilização gradual dos neuroreceptores de dopamina, provocada pelo consumo de pornografia, resulta no escalonamento de conteúdo, em que um usuário busca conteúdos mais extremos para obter o mesmo nível de satisfação que antes obtinha.

2. Essa mesma dessensibilização é responsável pela apatia e falta de interesse em outros tipos de atividades que antes eram significativas, já que a dopamina é o hormônio neurotransmissor da excitação e da motivação, e é ele que está sendo afetado.

3. Essa dinâmica pode culminar na desregulação da resposta natural a estímulos sexuais, de modo que,como mostra Gary WIlson [2]  em Your Brain on Porn,  a disfunção erétil entre homens jovens aumentou exponencialmente nos últimos anos.

4. As alterações funcionais e estruturais verificadas a nível cerebral, mesmo em usuários considerados não compulsivos, é semelhante às alterações verificadas em usuários de drogas sintéticas como a cocaína, a metanfetamina e o álcool.

O tálamo e os gânglios basais. Ordenam os sentidos, iniciam o movimento, e tomam decisões. (Foto de Greg Dunn e Will Drinker)

A fórmula pedagógica perfeita

Além disso, um dos maiores problemas gerados pela pornografia é a internalização dos valores que ela expressa. O problema é que se trata de valores que reforçam relações de poder e submissão. Os enredos pornográficos não apenas naturalizam a violência como a tornam excitante. A pesquisadora Mary Anne Layden do departamento de psiquiatria da Universidade da Pensilvânia, aponta o fato de que a pornografia contém as condições ideais do aprendizado e, justamente por isso, é tão nociva [3]. Segundo ela, a pornografia oferece imagens, excitação, recompensa e o exemplo de outros, de modo que dissemina crenças e comportamentos de forma eficaz:

1- Imagens

Aprendemos melhor usando imagens do que palavras, porque as imagens trazem mais informações de uma forma mais compacta. As palavras são frequentemente percebidas como opiniões, enquanto as imagens são frequentemente percebidas como eventos ou fatos.

2- Excitação

Também aprendemos melhor quando excitados. Se algo ativa nosso sistema nervoso simpático, temos maior predisposição para lembrar as informações recebidas naquele momento.

3- Recompensa

O aprendizado é melhor se é recompensado.  O comportamento que é recompensado é provável que se repita enquanto comportamento que é punido é menos provável que se repita. A excitação sexual e o orgasmo são experiências extremamente gratificantes. Se um novo comportamento sexual produz um orgasmo, é mais provável que o repitamos e o acrescentemos ao nosso repertório.

4- Exemplo

O aprendizado também é melhor se virmos modelos performando aquele comportamento. Vê-los recompensados ou punidos terá alguns dos mesmos efeitos sobre nós, como se fôssemos nós sendo recompensados ou punidos. Aprendemos a repetir ou evitar esses comportamentos vendo seus efeitos sobre os outros.

Cortex motor e parietal, região que envolve movimento e sensações (Foto de Greg Dunn and Will Drinker)

Logo, imagens que contém modelos que demonstram comportamentos sexuais específicos, que são recompensados por ele, que produzem excitação sexual no espectador e que é seguida por um orgasmo, pode ser extremamente eficaz na produção de crenças e comportamentos aprendidos. Principalmente se considerarmos que, em geral, temos acesso à pornografia na pré- adolescência, época em que a neuroplasticidade é maior e na qual estamos mais suscetíveis a incorporar padrões que nos servirão como referenciais. 

O problema é que os referenciais propagados pela pornografia mainstream são um relfexo de estruturas de poder e dominação: o machismo e a mercantilização da vida humana. Ela se apoia em uma imagem caricata da masculinidade, ligada à força, violência e infalibilidade. E igualmente caricata é a noção de feminilidade. Infantilizada física e psiquicamente, nela não há personalidade, mas só  submissão. Sem vontade própria, sua humanidade é reduzida à condição de objeto.

Nós homens crescemos achando que a sexualidade que vemos na pornografia é o que dá prazer para as mulheres, e em geral elas crescem achando que precisam se submeter a todo tipo de prática porque afinal “é assim mesmo”. Novamente, a sexualidade sai da esfera da singularidade e do desejo íntimo. Por meio da performance, se torna um lugar de reprodução das estruturas de poder.

A pornografia alternativa

“E a pornografia alternativa?” você pode se perguntar. Ainda que haja produções que respondem  a essa padronização limitante da pornografia mainstream e envolvem relações trabalhistas mais justas, as pesquisas mostram que a nível cerebral ela age de forma muito semelhante à mainstream. Ela é igualmente um estímulo supranatural [4], no sentido de que é um estímulo artificial capaz de provocar uma reposta neuroquímica mais intensa do que a que seria disparada pelo estímulo natural, justamente porque a alta disponibilidade e a novidade sem limites da pornografia é algo inédito para o cérebro humano, biologicamente adaptado à escassez [5]. Nos comentários no grupo de homens que estão parando de consumir pornografia do qual faço parte esse relato é recorrente: a pornografia alternativa não sacia porque justamente o que provoca o vício é a novidade. Além disso, a facilidade com que o usuário pode escalonar para material mais extremo em busca da dopamina para os neuroreceptores progressivamente dessensibilizados tende a garantir que o usuário não se restrinja a pornografias alternativas. 

Dados brutos de microgravura coloridos da formação reticular (Foto de Greg Dunn and Brian Edwards).

Há, então, um nível seguro para consumo? Pode ser que algumas pessoas consigam consumir pornografia eventualmente, e apenas a entendida como ética/feminista (ainda que a existência ou não de pornografia feminista seja controverso [6],[7],[8]). Pode ser que algumas pessoas afirmem não serem dependentes e não terem suas relações sexuais e sua saúde mental afetada negativamente. Não é o meu caso,  e o fato de ter conhecido tão poucas pessoas que têm essa relação “saudável” com a pornografia me leva a concordar com o Gary Wilson quando ele afirma não haver um nível seguro para consumo. O estímulo neuroquímico é intenso demais. Além disso, como aponta o pesquisador, como saber se a pornografia não o afeta negativamente se não se ficou um extenso período de tempo sem consumi-la para comparar? Qual o parâmetro? 

Alguns bons resultados de ter mudado 

Um dos principais benefícios ao ter parado de consumir a pornografia foi o ganho de respeito por mim mesmo. Muitos homens relatam que se sentem hipócritas ao lutarem por causas sociais e ao mesmo tempo assistirem pornografia, gerando conflito e perda de respeito por si próprios. Agir de acordo com o que se acredita muda completamente a relação consigo e com o mundo, porque afeta diretamente a autoestima.

Comentei antes que sentia que consumir pornografia parecia reforçar os piores traços da minha personalidade. A ternura, a sensibilidade e o estado de presença são o oposto do que do que a figura masculina  rígida, mecânica e robótica dos filmes pornográficos expressa.. Ao ter parado de consumir, a conexão com esses traços se restabeleceu, e hoje elas são o meu ancoramento, o lugar a partir do qual eu busco agir no mundo e tomar decisões.

Além disso, ter parado de pensar tanto em sexo é libertador. É claro que ainda penso, mas é diferente. Havia aquela urgência pela pornografia que não me deixava em paz. Com a mente sempre sendo alimentada pelas imagens, virava um ciclo sem fim. Eu olhava as mulheres com um olhar pornográfico. Com o tempo, e com um período difícil de “reboot-reprogramação” que exigiu toda minha força de vontade, aquelas conexões neurais foram se modificando. É possível parar de pensar em pornografia e parar de ansiar pela pornografia. Eu achava que isso era impossível.

Estrutura laminar do cerebelo, região responsável por  responsável pela manutenção pelo equilíbrio, movimentos involuntários e aprendizagem motora. (Foto de Greg Dunn and Brian Edwards)

Estou mais sensível com relação a prazeres que eram banais. Tipo tomar um banho quente, conversar com amigos, estudar assuntos que me interessam, enfim. A explicação da neurociência do vício, referente à a dessensibilização dos neuroreceptores de dopamina me ajudou a compreender essa dinâmica. 

Posso dizer que hoje  minhas relações sexuais estão completamente diferentes. O consumo afetou meus relacionamentos, fazendo com que eu perdesse a libido pelas parceiras.Além disso, percebi que a pornografia rouba a possibilidade de conhecermos nosso próprio desejo. Dado meu condicionamento pelos roteiros pornográficos, havia a constante comparação com aquele modelo que foi internalizado, somada à  sensação de que preciso ser diferente do que sou, de que preciso fazer uma performance.

Ficou claro, também, que a pornografia produzia em mim um sexo mental, mesmo quando ele ocorria fisicamente. Ficava mais nas imagens roteirizadas que se passavam na minha mente e na vontade de encená-las do que realmente presente em meu próprio corpo. Meses após ter parado de consumir é que comecei a discernir o que era um desejo meu e o que era condicionamento. É realmente como entrar em contato pela primeira vez com o que a sexualidade é para mim. Por isso quando dizem que a sexualidade é uma expressão da liberdade sexual eu pergunto: algo que condiciona e formata a visão expressa liberdade ou a limita?

Parando de consumir

Um dos grandes problemas da hiperdisponibilidade da pornografia e a sua naturalização na nossa cultura é o fato de que podemos  ter a compreensão racional de seus malefícios a nível pessoal e coletivo e, ainda assim, não conseguir largá-la. Não à toa muitos pesquisadores têm tratado o seu consumo como uma questão de saúde pública[9] Para alguns, a indústria pornográfica é, de certa forma,  a nova Grande Indústria do Tabaco[10], se aproveitando do poder altamente viciante do seu produto, falseando os seus efeitos negativos e se inserindo em todos os aspectos da cultura.

Se é certo que a censura não é a solução para o problema, enquanto uma consciência em relação aos danos emerge gradualmente através do trabalho de pesquisadores, atrizes/atores e usuários que expõe sua realidade nociva, o que melhor podemos fazer, a meu ver, é buscar a informação, o diálogo e a colaboração.

No instagram @masculinidadeslivres compartilho o meu processo e os passos que foram fundamentais para que hoje eu esteja há três anos de distância da pornografia. O processo de deixar de consumir envolve muitos aspectos e só eles renderiam um novo texto, mas se eu só tivesse espaço para falar sobre um dos aspectos que me foram vitais, seria o entendimento do conceito de orgasmo psicogênico.

O orgasmo piscogênico

O orgasmo psicogênico é provocado por um estímulo mínimo, centrado no órgão sexual, que acompanha uma narrativa visual, seja ela em vídeos ou na nossa imaginação.

Se robôs pudessem ter orgasmos, seria o psicogênico. É o mais próximo de apertar um botão para obter um resultado, seja ele uma descarga de prazer, de relaxamento, descarrego… 

O orgasmo psicogênico é direto, estímulo-resposta. Genitalizado, não envolve o resto do corpo. Por ser tão mecânico, o prazer que ele proporciona é limitado e tende a aumentar a sensação de insatisfação. O ápice disso é quando o homem descobre que é possível ejacular sem ter tido um orgasmo. São anos condicionando a masturbação a ser um prazer utilitário, uma descarga de dopamina como resposta ao stress, ao tédio e a ansiedade . Um orgasmo mais comumente acompanhado pelo vazio do que pela liberação. 

O córtex visual (Foto de Greg Dunn and Brian Edwards)

Essencialmente é o que a cultura da pornografia favorece. Escopofilia, o prazer em olhar. Prazer em ver e em imaginar sem realmente estar no próprio corpo. Sem realmente sentir o próprio corpo. O ápice disso é quando o homem descobre que é possível ejacular sem ter tido um orgasmo. Foi tão rápido, tão raso, que nem chegou a ser. 

Lembro de uma ex-namorada que chamava a masturbação de “me amar”. “Hoje eu vou me amar”, ela dizia. Aquilo vinha de um universo totalmente diferente do que eu conhecia. A masturbação como um encontro consigo. Um prazer direcionado para si e gerado pela potência do corpo de sentir-se.

Para nós homens isso parece ainda mais difícil. E se ao invés de imagens houver música? Se ao invés da inércia do corpo houver movimento? Ao invés da projeção, a sensação? Me parece que o quanto antes olharmos para o modo como nos relacionamos com nossos próprios corpos, antes veremos que há um condicionamento que se estende ao modo como sentimos.

Desassociar a masturbação da pornografia, buscar não construir enredos mentais, a menos que eles sejam atmosféricos, criações próprias, talvez impulsionados por músicas nas quais seja possível realmente submergir. São formas de recuperar o erotismo e trazer a mente ao corpo.

Se informe

Quanto à informação, o melhor acervo que conheço está no site https://www.yourbrainonporn.com/pt/, felizmente acessível em português. Há links para dezenas de artigos científicos, reportagens e vídeos sobre o tema. 

Há também o site brasileiro https://vicioempornografiacomoparar.com/, com excelente  material e a possibilidade de interagir com outras pessoas nesse mesmo caminho através do fórum comoparar.com. 

Outro fórum que reúne materiais em discussões em português é o www.rebootbrasil.forumeiros.com, que está vinculado ao grupo do Whatsapp da página @masculinidadeslivres. É um fórum recente construído em conjunto pela comunidade ao perceber a dificuldade de administrar conversas de Whatsapp.

A página Recuse a Clicar contém excelentes reportagens abordando o tema a partir de vários ângulos. Está presente no instagram em @recuseaclicar e em site

O melhor documentário que já assisti sobre o tema é o Brain, Heart, World (2020), dividido em três capítulos, cada um referente a um aspecto da questão: impactos a nível cerebral, afetivo e social.  Ele pode ser assistido gratuitamente em https://brainheartworld.org/ com legendas em espanhol ou inglês.

No instagram, a página @chegadepor_nografia apresenta a tradução de dezenas de artigos científicos para o português.

Acho importante deixar claro ao final que não falo aqui como entendido do assunto. Falo como alguém que está tentando se libertar das amarras que o prendem e limitam por meio de pesquisas, diálogos e reflexão convertida em prática. Se compartilho aqui é por perceber que não sou o único nesse caminho. 

[1]^ KÜHN, Simone PhD; GALLINAT, Jürgen, PhD. Structure and Functional Connectivity Associated With Pornography Consumption: The Brain on Porn JAMA Psychiatry. 2014;71(7):827-834. doi:10.1001/jamapsychiatry.2014.93

[2]^ WILSON, Gary, Your Brain on Porn: Internet Pornography and the Emerging Science of Addiction,  Commonwealth Publishing, 2014.

[3]^ LAYDEN, Mary Anne, PhD. Pornography and Violence: A New Look at Research. Disponível em: http://citeseerx.ist.psu.edu/viewdoc/summary?doi=10.1.1.367.8990

[4]^ HILTON, Donald J. Pornography addiction – a supranormal stimulus considered in the context of neuroplasticity. Socioaffect Neurosci Psychol. 2013

[5]^ BARRET, Deirdre. Supernormal Stimuli: How Primal Urges Overran Their Evolutionary Purpose. W. W. Norton & Company, 2010.

[6]^ https://pantheon.ufrj.br/bitstream/11422/10933/1/MCosta.pdf

[7]^ https://qgfeminista.org/feminismo-que-nao-desafia-a-supremacia-masculina-nao-e-feminismo/

[8]^ https://revistas.unilasalle.edu.br/index.php/redes/article/view/6342

[9]^ COOPER, A., DELMONICO, D. L., & BURG, R. (2000). Cybersex users, abusers, and compulsives: New findings and implications. Sexual Addictions & Compulsivities, 7, 5-29.

[10]^ PAUL, Pamela. Pornified.  New York: Times Books, 2007.

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